Avó envia neto adotivo de volta para a Rússia (Brazilian article about Hansen case)

Date: 2010-04-10

Moscou (AE) - O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, exigiu ontem que todas a adoções de crianças russas por famílias norte-americanas sejam interrompidas depois que uma mulher do Tennessee enviou seu neto adotivo de sete anos de volta para a Rússia, sozinho. Lavrov chamou a ação da avó, Nancy Hansen, de Shelbyville, de “a gota d’água” de uma série de adoções por norte-americanos que deram errado, dentre elas três nas quais crianças russas morreram nos Estados Unidos. Os casos geraram indignação da Rússia, onde o fracasso de adoções por estrangeiras é notificado com alarde.

O Ministério da Educação russo suspendeu imediatamente a licença do grupo envolvido na adoção, o World Association for Children and Parents, agência sediada em Renton, Washington, durante as investigações. No Tennessee, as autoridades investigam a mãe adotiva, Torry Hansen. A interrupção das adoções pode afetar centenas de famílias norte-americanas. No ano passado, cerca de 1.600 crianças russas foram adotadas nos Estados Unidos.

O menino, Artyom Savelyev, chegou desacompanhado a Moscou na quinta-feira num voo da United Airlines que partiu de Washington. Assistentes sociais o enviaram para um hospital para exames de saúde e criticaram a mãe adotiva por tê-lo abandonado.

O escritório de direitos da criança do Kremlin disse que o menino levava uma carta de sua mãe adotiva dizendo que ela o estava devolvendo em razão de sérios problemas psicológicos apresentados pelo garoto. “Esta criança é mentalmente instável. Ele é violento e sofre de graves problemas psicopáticos”, diz a carta. “Recebi informações mentirosas e enganosas dos funcionários e do diretor do orfanato russo no que diz respeito à sua estabilidade mental e outras questões.”

“Depois de fazer o melhor por esta criança, sinto muito em dizer que pela segurança de minha família, amigos e a minha própria, não quero mais ser mãe desta criança.”

O menino foi adotado em setembro do ano passado na cidade de Partizansk, extremo leste da Rússia. Nancy Hansen, a avó, disse à Associated Press que ela e o menino foram para Washington para colocá-lo no avião com a carta de sua filha. Ela rejeitou com veemência as afirmações de abandono feitas pelas autoridades russas, dizendo que o menino estava sob supervisão dos comissários de bordo da United Airlines e que a família pagou US$ 200 a um homem para pegar o garoto no aeroporto de Moscou e levá-lo para o Ministério de Educação e Ciência russo.

Em sua casa em Shelbyville, que ela divide com a filha, Nancy Hansen disse que assistentes sociais analisaram o menino em janeiro e disseram às autoridades russas que ele não tinha problemas. Mas, depois disso, segundo a avó, incidentes os episódios envolvendo socos, chutes e cusparadas aumentaram, juntamente com as ameaças. “Ele fez um desenho de nossa casa em chamas e dizia a qualquer um que iria queimar nossa casa com a gente dentro”, disse ela à Associated Press em entrevista por telefone. “Eu cheguei num ponto em que temia por minha segurança. Foi terrível.”

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